Para a maior glória de Deus


Um dos perigos nos fundadores de obras,  ou nas pessoas que pertençam a uma instituição particular é o de tal maneira se concentrarem nelas que não conseguem ver o bem em outras partes. E comum até se verem pessoas que consideram o seu círculo, a sua maneira, o único meio de se praticar o bem. E se alguém chega ao mesmo fim que eles procuram, por outro meio que não o seu, e fora de seu círculo, depreciam o meio e até sofismam contra o próprio fim. Somente muita virtude evita essa perniciosa tendência. 

Dom Bosco, como santo que era, não só não possuía essa tendência, como também sempre estava disposto a auxiliar toda e qualquer obra católica. Ele sempre auxiliava os esforços alheios em promover o bem. Assim, em 1845, gastou grande soma em dinheiro - e ele estava constantemente em apuros financeiros- para aprender o idioma alemão e assim ouvir em confissão os soldados alemães que vinham se alistar no exército sardo e, não achavam em Turim, um só padre que os entendesse.

Quando em 1854 a peste atacou a cidade de Turim, Dom Bosco colocou os seus melhores jovens para auxiliar os empesteados, quer espiritual, quer materialmente. Também com instituições, distintas das suas, ele era de extrema caridade. Por ocasião da formação em Turim das conferências de São Vicente de Paulo, muito as auxiliou Dom Bosco na fundação delas, e ia sempre às suas reuniões para falar sobre o espírito de São Vicente de Paulo. que ele tanto venerava. Frequentemente enviava seus seminaristas e padres a ensinar nos oratórios que não os dele. Dom Bosco, vivia sempre apertado financeiramente, mas estava sempre disposto a ajudar obras católicas de outros. Desta forma, em certa ocasião mandou a um padre amigo tudo que conseguiu achar em suas gavetas para ajudá-lo na construção de uma nova Igreja, além de comprar muitos bilhetes de uma loteria em favor da construção dela. 

Onde mais se notava o desprendimento de Dom Bosco era no campo vocacional. Não somente tolerava, como até favorecia a ida de jovens, que preparara para auxiliá-lo, para outras obras. Procurava atrair alguns alunos seus e formá-los no seu espírito, mas nunca fez insistências, nunca impôs vocações. Dava aos jovens plena liberdade de escolha. Se um jovem seminarista desistia de ficar com ele, mas queria ainda ser padre, ajudava esse jovem de mil maneiras, inclusive na conclusão de seus estudos. Dizia ele: "lembremo-nos que se oferece uma grande joia a Igreja quando Lhe conseguimos uma boa vocação. Pouco importa que essa vocação leve depois o padre à diocese, às missões ou a um convento. É sempre um tesouro que se oferece a Igreja de Jesus Cristo".

Que esta mentalidade maravilhosa de Dom Bosco sirva de exemplo a nós católicos deste início do século XXI, para melhor servirmos a Santa Madre Igreja que tanto merece ser servida com amor e desprendimento.

Para a maior glória de Deus (2008). O Desbravador, 08.

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